O Rio Grande do Sul tem uma das principais receitas do país no setor de agronegócios. O estado encerrou 2019 com o sexto maior Valor Bruto de Produção Agropecuária (VPB), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), no valor de R$ 58,3 milhões. A produção gaúcha pode ter, em breve, um novo estímulo para a continuidade de geração de lucro. Tramita no Congresso Nacional o projeto de Lei (PL) 149/19, que institui a Política Nacional de Incentivo à Agricultura de Precisão. 

O modo de produção consiste em um sistema de gerenciamento da produção agrícola que utiliza a tecnologia para gerar informações precisas para a tomada das melhores decisões e a otimização dos processos produtivos, com reflexos diretos na produtividade e nos custos de produção. Com o fomento ao desenvolvimento tecnológico trazido pela agricultura de precisão, há incrementos em toda a cadeia produtiva, o que, consequentemente, amplia as margens de renda e qualidade de vida de produtores.

“Quando se fala em tecnologias aplicadas à Agricultura de Precisão, temos diversas plataformas digitais. Essas plataformas oferecem imagens de satélite e o agricultor tem imagens que vão mostrando a ele o comportamento da sua lavoura. As plataformas também integram essas imagens com algum serviço ofertado pelas empresas que as desenvolveram. Pode ter, por exemplo, uma ferramenta para gerir máquinas”, explica o coordenador Adjunto do Programa de Pós-Graduação em Agricultura de Precisão da Universidade Federal de Santa Maria, Lúcio Amaral. 

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Além da otimização da produtividade, a agricultura de precisão também apresenta vantagem do ponto de vista sustentável ao reduzir o uso desnecessário de insumos. “Ao levar melhor eficiência, a agricultura digital está mitigando e reduzindo o uso de algumas coisas de forma desnecessária. Contribui para mitigar, por exemplo, gases de efeito estufa, acompanhando a dinâmica de estoque de carbono no solo ou na sua cultura. Pode acompanhar, também, do uso e reciclagem de água no sistema de produção, independente de que seja de grãos ou de pecuária”, avalia o diretor de Inovação do Mapa, Cléber Soares.



O que o PL diz

A implantação da Política Nacional de Incentivo à Agricultura de Precisão tem por objetivo elevar a eficiência na aplicação de recursos e insumos de forma a diminuir o desperdício, aumentar a produtividade, a lucratividade e a garantir a sustentabilidade ambiental.

A proposta estabelece como diretrizes o apoio à inovação agronômica, contemplando todas as escalas de produção e seus impactos socioeconômicos e ambientais; o desenvolvimento tecnológico e a difusão entre pequenos e médios produtores; a ampliação de rede de pesquisa, desenvolvimento e inovação do setor agrícola; a adequação da ação governamental às peculiaridades e diversidades regionais; e a articulação e colaboração entre os entes públicos federais, estaduais e municipais e o setor privado.

“A agricultura de precisão revolucionou as tradições e costumes e influenciou decisivamente nessa produtividade maravilhosa que estamos tendo. Nós precisamos ocupar melhor os espaços. O Brasil tem espaços para produzir alimentos como poucos países. Temos condição de melhorar sem derrubar florestas”, avalia o senador Lasier Martins (Podemos-RS). “Não tenho dúvidas de que a implantação da Política Nacional de Incentivo à Agricultura de Precisão vai otimizar a produção. Eu entendo que nós estamos prosperando bastante nesse terreno.” 

O parlamentar destaca ainda que o Rio Grande do Sul é um dos pioneiros no Brasil no uso de tecnologias para melhoria da produtividade agropecuária. “O Rio Grande do Sul tem muito destaque na agricultura de precisão. Somos, aqui, quase que uma base, surgida na região Norte do estado, com empresas que produzem máquinas e equipamentos de precisão”, diz. 

Fonte: Brasil 61