Operação prende oito advogados suspeitos de ligação com o PCC

Por Eliane Gonçalves – Brasília

Operação prendeu advogados do PCC e o líder da célula jurídica da organização criminosa.

Segundo o Ministério Público de São Paulo, os advogados atuavam, na verdade, como funcionários do PCC, o Primeiro Comando da Capital, repassando ordens dos líderes que estão em presídios federais para integrantes da organização que estão do lado de fora.

Na operação, batizada como Fast Track, foram presos 8 advogados e o homem apontado com o líder da célula jurídica da organização. O nome do acusado não foi divulgado, apenas as iniciais e o apelido, Armani.

O esquema teria começado em fevereiro do ano passado quando as principais lideranças do PCC, entre elas, Marcos Camacho, o Marcola, apontado como chefe máximo do PCC, foram transferidos dos presídios paulistas para presídios federais de Brasília, Porto Velho, em Rondônia, e Mossoró, no Rio Grande do Norte.

O objetivo foi impedir a comunicação dos chefes da facção de dentro dos presídios com integrantes do lado de fora. Foi aí que entraram os advogados, contratados em todo o país. Como advogados têm a permissão de fazer atendimentos presenciais, eles passaram a levar as ordens dos chefes da organização para outros criminosos.

Segundo a denúncia, os advogados chegavam a intermediar o pagamento de propinas para policiais, a cobrança de dívidas e até transmitir ameaças de morte. Também se envolviam na solução de disputas dentro da organização criminosa, atuando no sistema de disciplina da facção, o chamado tribunal do PCC.

Na Baixada Santista, por exemplo, um dos principais esquemas de tráfico de drogas da região passou a contar com a ajuda de uma advogada de São Paulo que também foi presa nessa quarta-feira (18). O esquema do tráfico em Santos também foi alvo de uma segunda operação deflagrada hoje, a operação colorido, um desdobramento da Fast Track.

Enquanto na Fast Track foram executados 13 mandados de prisão e 23 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rondônia, Rio Grande do Norte e Distrito Federal; na operação Colorido foram quatro mandados de prisão temporária e cinco de busca e apreensão.

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