Por Tatiana Alves – Rio de Janeiro

O Tribunal Especial Misto que julga o impeachment do governador afastado do Rio de Janeiro, Wilson Witzel, ouviu nesta quinta-feira testemunhas de acusação e de defesa no processo.  Uma das mais esperadas era a esposa de Witzel, Helena Witzel, que não compareceu, após seu pedido de não depor no Tribunal ser atendido.

A Corte, formada por cinco desembargadores e cinco deputados estaduais, e conduzida pelo presidente do Tribunal de Justiça do Estado, desembargador Claudio de Mello Tavares, analisa denúncias de crime de responsabilidade contra Witzel e suspeitas de participação em fraudes na área da saúde.

Mário Peixoto, apontado como líder da organização criminosa responsável por desvios superiores a R$ 500 milhões da Saúde do Rio de Janeiro, foi um dos convocados.

Durante a sessão, ele disse não ter nenhum interesse em contratos de hospital de campanha nem ter tido relação com a Unir Saúde, desqualificada pelo estado em 2019 por suspeita de negociações ilegais com funcionários estaduais. Peixoto negou ainda ter organizações sociais ligadas a seu nome.

Acusado de negociar a liberação de uma organização social com o então governador Wilson Witzel, ele está preso há oito meses e responde pelos crimes de corrupção e lavagem de ativos.

O ex-secretário estadual de Saúde Edmar Santos também foi ouvido. Ele chegou a pedir na justiça para que não precisasse ir na audiência, mas teve seu pedido negado. Perante o tribunal, Santos se recusou a falar quando foi perguntado sobre uma “caixa de propina” e da participação de Witzel na mesma. Negou ainda que conhecia Luis Roberto Martins Soares, ligado às organizações sociais citadas no processo. Questionado se teve envolvimento com a indicação e a posterior demissão do subsecretário executivo de Saúde do estado, Gabriel Neves, também optou por não se manifestar.

Pela manhã, foram ouvidos o ex-secretário de Desenvolvimento Econômico, Energia e Relações Internacionais, Lucas Tristão do Carmo; o sócio da Organização Social de Saúde Unir Luiz Roberto Martins; o ex-presidente nacional do PSC, Pastor Everaldo.

Das 27 testemunhas, algumas não foram localizadas e, por esta razão, faltaram à audiência.

Fonte: Agência Brasil